sábado, 12 de dezembro de 2015

ABRASCO denuncia mudança de rumos no Brasil Sorridente

Especialistas em Saúde Bucal manifestaram-se por todo o Brasil após a demissão da coordenadora de saúde bucal do ministério da saúde. Preocupados com os possíveis rumos da Política Nacional de Saúde Bucal decorrentes dessa mudança, manifestaram-se através da divulgação de Cartas Abertas, reforçando que a Coordenação Geral de Saúde Bucal deva ser ocupada por profissional com experiência em saúde pública, comprometido com o Brasil Sorridente, desde a sua elaboração, e com vínculos históricos com a implantação do SUS, sob o risco de descontinuidade de uma política reconhecidamente social. O Grupo Temático de Saúde Bucal Coletiva da Abrasco também condena as frequentes substituições ocorridas na Coordenação Geral de Saúde Bucal e manifesta-se através do site oficial da Associação:
Manifesto da Associação Brasileira de Saúde Coletiva e do Grupo Temático de Saúde Bucal Coletiva

A Associação Brasileira de Saúde Coletiva e o Grupo Temático de Saúde Bucal Coletiva vêm a público manifestar sua preocupação com as recentes e frequentes substituições ocorridas na Coordenação Geral de Saúde Bucal, do Ministério da Saúde.
O Coordenador Geral recém-empossado é um profissional ligado a uma empresa de contrato de prestação de serviços odontológicos, que opera no mercado de planos odontológicos, sem que se identifique em sua vida profissional qualquer envolvimento ou vivencia com a Saúde Bucal Coletiva. Mesmo que esse profissional, por razões de conflito de interesses, venha a se desvincular da empresa, nos parecem nítidos os sinais de ruptura e retrocesso, com o programa do governo eleito, contribuindo para evidente fragilização das ações pelo acesso qualificado, universal e integral à saúde bucal.

Tal fato se coloca em antagonismo aos anos de luta e trabalho pela construção do SUS e, especificamente, da política que foi implantada em 2004, a Política Nacional de Saúde Bucal, conhecida como Brasil Sorridente, e que possibilitou a milhões de brasileiros o acesso aos serviços de saúde bucal, até então inexistente.
Não abriremos mão do caminho já percorrido e do que se abre a nossa frente. Garantir e ampliar o direito a saúde bucal de qualidade constituem um percurso que se faz necessário e sem volta. Esta é uma luta que exigiu e continuará exigindo grande esforço coletivo. É preciso que o direito à saúde bucal de qualidade seja garantido e ampliado.
A conjuntura política de momento exige de todos nós a vigilância e o forte comprometimento na continuidade dos embates em defesa do SUS e da saúde da população brasileira.
Associação Brasileira de Saúde Coletiva através de seu Grupo Temático de Saúde Bucal Coletiva

Em novembro, uma Nota Pública foi elaborada pelos ex-membros da Comissão de Assessoramento Técnico (CAT), da Coordenação Geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde, sobre o assunto, confira:
Embora a atual Política Nacional de Saúde Bucal (PNSB), definida em 2004 e conhecida como Brasil Sorridente (BRS), seja um dos mais bem sucedidos programas implantados pelo governo federal, sofreu um duro revés em novembro de 2015, com a nomeação de Ademir Fratric Bacic para a Coordenação-Geral de Saúde Bucal do Ministério da Saúde. Diretor financeiro da empresa Prodent Assistência Odontológica Ltda, Bacic é um desconhecido dos movimentos sociais de saúde, das entidades odontológicas e das organizações de saúde coletiva. Sabe-se, porém, que participa do financiamento privado de campanhas eleitorais e mantém vínculos com o SINOG – Sindicato Nacional das Empresas de Odontologia de Grupo (Saúde Suplementar). Ainda assim foi nomeado para coordenar uma política que tem seu esteio no Sistema Único de Saúde (SUS).
Ao assumir a coordenação da Política Nacional de Saúde Bucal no segundo governo Dilma, Rozangela Fernandes Camapum, uma liderança historicamente posicionada ao lado dos movimentos e entidades do setor saúde na construção da PNSB, constituiu uma Comissão de Assessoramento Técnico (CAT) e fomos convidados a integrá-la. Cabe registrar que todos participamos da CAT sem qualquer tipo de remuneração.
Entendemos que a exoneração de Rozangela e a nomeação de Ademir constitui um grave retrocesso nos rumos do Brasil Sorridente, um verdadeiro ato de agressão à política de saúde bucal que o País deve à sensibilidade do Presidente Lula e ao empenho de dezenas de milhares de profissionais de saúde que, diariamente, em todo o Brasil, dão concretude às diretrizes dessa política, aprovadas no Conselho Nacional de Saúde e pelos Conselhos Nacionais de Secretarias Municipais (CONASEMS) e Estaduais (CONASS) de Saúde, as quais vêm tendo o apoio das entidades nacionais de odontologia e de saúde coletiva.
A mudança no comando do Brasil Sorridente indica também um risco iminente ao princípio ético da saúde bucal como direito de cidadania ao identificar-se uma clara opção por modelos privatistas e pelo vale-tudo do mercado, em que cuidados odontológicos são apenas mercadorias a serem comercializadas por empresas que fazem negócios com doença, sofrimento e morte. Tais modelos privatistas propõem substituir os serviços públicos odontológicos com gestão participativa e sob controle público, que defendemos, por empresas controladas e gerenciadas por proprietários privados.
Rejeitamos essa mudança e repudiamos essa nova orientação. Por essa razão, estamos nos afastando do Ministério da Saúde, assumindo, perante os movimentos sociais e as entidades de saúde coletiva e de odontologia, um compromisso ético-político de seguir na luta para refazer o que está sendo desfeito neste momento, que marca uma importante inflexão histórica na PNSB. Não nos move qualquer sentimento pessoal a quem quer que seja,pois compreendemos as circunstâncias políticas que levaram a Presidenta Dilma Rousseff a fazer mudanças em seu ministério, envolvendo o da Saúde. Temos motivos, porém, para não acreditar que o coordenador recém-nomeado reúna as credenciais mínimas necessárias para o cargo do
qual passou a ser titular. Assinalamos, ainda, que sua experiência profissional à frente de um plano de saúde conflita frontalmente com as propostas que comungamos com amplos setores da sociedade brasileira para o SUS e o Brasil Sorridente. Por entendermos que a decisão do ministro Marcelo Castro implica a negação de tudo em que cremos, decidimos nos afastar da coordenação da PNSB, com a expectativa de que, em breve, as forças políticas que possibilitaram criar o Brasil Sorridente, retornem ao comando do Ministério da Saúde para, então, retomar para a Saúde Pública os rumos dessa importante política pública.

Saímos como entramos, com a certeza do dever cumprido e a convicção de que todas as ações que desenvolvemos foram sempre orientadas pelo interesse público, visando à construção do SUS, e em respeito aos compromissos que marcaram nossas trajetórias, cuja referência política é o Movimento da Reforma Sanitária, na perspectiva das Conferências Nacionais de Saúde e de Saúde Bucal.
NÃO À MERCANTILIZAÇÃO DA SAÚDE!
VIVA O SUS!
VIVA O BRASIL SORRIDENTE COMO DIREITO DE CIDADANIA!

Brasília, novembro de 2015.
Antonio Carlos Nascimento – PR
Celso Zilbovicius – SP
Cleber Ronald Inácio dos Santos – AC
Cristiana Leite Carvalho – MG
Elisete Casotti – RJ
Guadalupe Sales Ferreira – SE
Helder Henrique Costa Pinheiro – PA
Helenita Corrêa Ely – RS
José Carrijo Brom – GO
Luiz Roberto Augusto Noro – RN
Marco Manfredini – SP
Maria Cristina Teixeira Cangussu – BA
Moacir Tavares Martins Filho – CE
Paulo Capel Narvai – SP
fonte: http://www.abrasco.org.br/site/2015/12/governo-dilma-retrocesso-na-saude-atinge-a-saude-bucal/

quinta-feira, 3 de dezembro de 2015

ABRASCO lança nova revista!


Faz-se necessário, como nunca, a liberdade de investigação, pois vivemos uma época de crise, imersos em dúvida, na desconfiança quanto a nossos representantes e observando uma concentração inaudita de riqueza e de poder.
Os velhos modos de existir, os nossos discursos e mesmo as nossas instituições reformadas recentemente não conseguem assegurar a redução das imensas desigualdades e nem dão conta da promessa de um futuro de democracia e de convivência pacífica.
Para refundar a sociabilidade, não há outra saída fora do engajamento reflexivo. Com esta nova publicação, a Abrasco pretende oferecer, commodéstia, um espaço para reflexões sobre incertezas e colaborar para a reconstrução de modos de conviver solidários, para a reinvenção da democracia e para repensar o papel da Saúde Coletiva no contexto atual.
Ensaios & Diálogos em Saúde Coletiva é um espaço a ser ocupado por pesquisadores, por profissionais de saúde e por todas as pessoas preocupadas com a saúde, com a ciência, com a formação, com o bem-estar, com a justiça social e com a felicidade.
Neste primeiro número, as contribuições da Abrasco para a 15ª Conferência Nacional de Saúde, com participação de Luis Eugenio Souza; Tatiana Vargas; Maurício Barreto; Marcelo Firpo; Jandira Maciel; Letícia Coelho; Fernando Carneiro; Nelsão Santos; José Sestelo; Cesar Victora; Jairnilson Paim, Márcio Pochmann, Pedro Célio Borges; André Dantas; Inês Rugani; Maria Lúcia Werneck; Luiza Garnelo; Paulo Capel Narvai; Luis Castiel e Marco Akerman. Entrevistas com Guilherme Werneck e Arthur Chioro. Ilustrações de Caco Xavier. Participação da ONG mexicana El Poder del Consumidor.
Acesse AQUI a primeira edição da revista. 

A Consulta Odontológica no Pré-natal


Agora a consulta odontológica passa a ser obrigatório no Pré-Natal. 
Atenção mamães e futuras mamães!!! 

Segue o link da caderneta da gestante  




quarta-feira, 4 de novembro de 2015

Integração Ensino-Serviço no Curso de Odontologia, semestre 2015.2

Na primeira semana de outubro a etapa de preparação dos Estágios do curso de Odontologia, semestre 2015.2, foi praticamente concluída. Essa etapa foi composta por encontros introdutórios com os discentes, de caráter organizativo e pedagógico. Além de outros encontros dirigidos aos preceptores que irão supervisionar os estagiários nas unidades de saúde conveniadas.
Para garantir as vagas necessárias para todos os alunos matriculados nos Estágios Supervisionados no Sistema Público de Saúde  1,2,3, 4 e no de Clinicas Odontológicas de Especialidades 1, foram ampliadas as parcerias institucionais.; o que significou a expansão da atuação do curso de Odontologia para outros municípios da RMR. Além do Recife, houve a inclusão das Secretarias Municipais de Saúde de Olinda, Jaboatão e Igarassu, sendo os estágios nesses locais iniciados no semestre 2015.1. Isto significa, também, significa na viabilização do percurso  formativo dos alunos em diferentes pontos da rede de atenção à saúde, organizada  segundo o tipo de Estágio e grau de complexidade como determina as DCN e o PP do curso de Odontologia da UFPE.
Dentre os campos de práticas e os tipos de serviços assistenciais reservados para os estágios 2015.2, destacamos: as  Unidades de Saúde da Família  - USF, Unidades de Pronto Atendimentos – UPA,  Centros de Especialidades Odontológicas –CEO. Além de outros serviços de urgência e emergência da malha assistencial odontológica da Região Metropolitana do Recife, como: Hospital Geral de Jaboatão, Hospital da Restauração, Hospital Getúlio Vargas, Hospital de Areias. Também é importante destacar outros campos de estágio, já tradicionais utilizados pelo curso de Odontologia da UFPE, como: Setor de saúde bucal da Aeronáutica, da Polícia Militar de PE, da Marinha e do Hospital do câncer.
Sublinha-se, que o Estágio em Clínicas Odontológicas de Especialidades 2 será desenvolvido no CEO universitário do curso de odontologia da UFPE, cujo processo de implantação é recente. Os professores lotados nesse tipo de estágio serão os orientadores dos alunos.
Ao final das atividades desses estágios serão gerados: levantamentos  da rede da atenção à saúde bucal, projetos de intervenções de saúde, PTS - projetos terapêutico singular, vídeos de registro das ações comunitárias, sínteses e roteiros de produtividade e relatórios de avaliação.

Conheça nossa Equipe de Professores e Monitores:
Professores: Elaine Amorim, Márcia Dantas, Paulo Goes, Gabriela Gaspar, Silvia Jamelli, Nilcema Figueiredo, Niedje Siqueira, Petrônio Martelli e Fábio Souza. Monitores: Giulia Freitas, Alan Agostinho, Sandra Carolina, Edvaldo Filho, Alinne Carvalho e Josevan Souza

quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Outubro Rosa


Equipe de alunos da UFPE e a preceptora Carmélia Barbosa desenvolvendo atividades ligadas ao Outubro Rosa na Unidade de Saúde em Cosme e Damião
O movimento Outubro Rosa teve início nos Estados Unidos na década de 90 e se espalhou por todo o mundo com um só objetivo: chamar a atenção para o câncer que mais mata mulheres em todo o mundo - o câncer de mama. O tom rosa foi escolhido para que em todas as suas femininas nuances represente a  importância da luta das mulheres acometidas por este mal. Monumentos, instituições públicas e toda a sociedade que participa do movimento se vestem de rosa visando fortalecer as recomendações para o diagnóstico precoce e rastreamento do câncer de mama, visando informar e estimular a participação popular nesse sentido.
É essencial que haja uma conscientização de toda a população no sentido de que a prevenção do câncer de mama não está simplesmente ligado ao exame de mamografia em si, mas também ao auto-exame periódico e à necessidade do fornecimento do diagnóstico e tratamento em tempo hábil a todos os acometidos por esse mal - lembrando sempre que os homens também estão sujeitos a apresentar este tipo de neoplasia. Esta prevenção não deve ser feita apenas durante o mês de Outubro, mas o acompanhamento nesse sentido deve ser feito durante o ano todo.
Os alunos do Estágio Curricular Supervisionado em Sistema Único de Saúde 1 têm se engajado nas ações promovidas pelas Unidades de Saúde da Família nas quais estão atuando, aprendendo sobre prevenção, transmitindo e compartilhando conhecimento com as comunidades nas quais estão estagiando. É importante lembrar que nós, como futuros profissionais de saúde, devemos sempre nos engajar em lutas a favor da manutenção da saúde da sociedade. Devemos aliar nossos cuidados em nossas respectivas profissões a uma visão geral de cuidado com cada indivíduo.
Equipe de alunos da UFPE desenvolvendo atividades ligadas ao Outubro Rosa nas Unidades de Saúde Jardim Teresópolis e Casarão do Cordeiro, respectivamente. 



Por Giulia Freitas

sexta-feira, 25 de setembro de 2015

“SUS não veio dos políticos, foi uma conquista da sociedade civil”, Afirma PAIM, em entrevista


Em entrevista ao Saúde Popular, Jairnilson Silva PAIM, professor da UFBA e militante da reforma sanitária, analisa os 25 anos do Sistema Único de Saúde e os desafios postos para a área no contexto atual. Onde afirma: 
“SUS não veio dos políticos, foi uma conquista da sociedade civil”

Entrevista completa AQUI.

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

Relato da vivência do estágio na USF Integração Muribeca

O bairro Integração Muribeca pertence à cidade de Jaboatão dos Guararapes. O acesso a esta comunidade é precário. A comunidade conta apenas com uma linha de ônibus – da qual fazíamos uso para chegar a USF, e transportes complementares, através de micro-ônibus. A comunidade não possui asfalto ou calçamento, sendo as ruas de terraplenagem. A população da Integração Muribeca padece devido à falta de saneamento básico, onde os riscos de contaminação de doenças são potencializados com as freqüentes enchentes que afligem os moradores em épocas chuvosas, fato lamentável vivenciado por nós durante o estágio.
Nesse contexto, a USF Integração Muribeca, inaugurada em 2012, está situada na Avenida Rio Jaboatão, próximo ao terminal de ônibus, no bairro de mesmo nome. O prédio apresenta boa infra-estrutura e conta com uma médica, uma enfermeira, uma cirurgiã-dentista, uma auxiliar de saúde bucal, uma técnica de enfermagem e agentes comunitários de saúde.
Em meio a todas essas adversidades já citadas, foi muito enriquecedora toda trajetória feita durante o estágio, onde nos deparamos com uma Unidade de Saúde da Família que, apesar de todas as limitações, é brilhante na atenção básica de saúde. O empenho de toda equipe de funcionários é incrível e a população consegue ter os serviços de saúde ofertados de ótima qualidade, reflexo da união dos funcionários, que por meio da gerência compartilhada, executam as mais diversas funções, mesmo que fujam de suas atribuições, para o adequado funcionamento da USF.
Nossa preceptora, Dra. Débora Barbosa, foi uma verdadeira mestra, que soube, com cautela, nos fazer evoluir na prática clínica odontológica, seja dentro do consultório ou nas atividades de clínica ampliada. A atenção, o cuidado e o empenho que tivemos dela foram fatores decisivos para que concluíssemos o estágio nos sentindo mais confiantes e capazes de atender as necessidades dos pacientes. A auxiliar de saúde bucal, Rosana Brito, nos mostrou que é possível sim manter a organização, a biossegurança e a eficiência no serviço odontológico da rede pública de saúde, buscando sempre, através do compromisso e dedicação, a eficiência no auxilio dos procedimentos realizados. 
Diante disso, o que constatamos ao avaliar toda experiência proporcionada pelo estágio é que as propostas previstas pelo SUS, criado em 1988 pela Constituição Federal Brasileira, podem ser cumpridas com sucesso quando há empenho dos profissionais envolvidos e condições favoráveis de trabalho. A Unidade de Saúde Integração Muribeca é sem dúvidas um referencial de Unidade de Saúde eficiente e ficamos gratos pela oportunidade de ter vivenciado o Estágio Curricular Supervisionado no Sistema Público de Saúde 3 nesta unidade.






Depoimento dos alunos Dayanne Gabrielle e Jaciel Freitas do 9º período sobre o Estágio 3 que vivenciaram no semestre passado;