Mostrando postagens com marcador leitura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador leitura. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 14 de abril de 2015

Jornalista e escritor uruguaio Eduardo Galeano morre aos 74 anos

Morreu ontem aos 74 anos, jornalista e escritor uruguaio, Eduardo Galeano. Pra quem não o conhece, ele era um homem que acreditava numa sociedade mais justa e igualitária e também autor da obra As Veias abertas da América Latina (1971), na qual foi um marco para a literatura latina.  Nesta obra, o escritor fez uma análise da história da América Latina sob o ponto de vista da exploração e da dominação política, desde a colonização européia até a contemporaneidade da época em que foi lançado.  
Por meio desta notícia, trago uma série chamada Sangue Latino, criada por Eric Nepomuceno, jornalista e escritor, na qual ele pergunta a vários entrevistados como definem a questão da utopia. E claro, um destes, foi Eduardo Galeano. Através do vídeo, vocês poderão conhecer um pouco do mesmo e observar a visão poética que Eduardo tem sobre o nosso planeta e continente. 




Att, Emille Raíza (Equipe de Edição);


sexta-feira, 10 de abril de 2015

França resiste à 'americanização' da saúde

No clima das discussões da 15º Conferência Nacional de Saúde sobre o Sistema Único de Saúde disponibilizamos aqui no blog uma matéria sobre o sistema de saúde francês.






FONTE: http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Internacional/Franca-resiste-a-americanizacao-da-saude/6/33177


Att, Equipe de Edição;

quarta-feira, 8 de abril de 2015

"SAÚDE NÃO É NEGÓCIO NEM MERCADORIA, É DIREITO DE CIDADANIA"

  O Centro brasileiro de Estudos de Saúde disponibilizou no seu site, um documento intitulado TESE DO CEBES PARA A 15a CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE que visa subsidiar as reflexões e análises dos delegados e de mais interessados no tema da saúde pública brasileira.

O Cebes acredita que não haverá “Saúde Pública de qualidade para cuidar bem das pessoas” se não houver a consolidação do SUS. Portanto, para promover este debate, elaboraram esta tese para que os movimentos sociais, usuários, trabalhadores, gestores e os grupos a se mobilizarem para 15ª Conferência Nacional de Saúde para defender o SUS e discutir o projeto de saúde. A seguir o link para baixar em pdf a tese: TESE DO CEBES PARA A 15a CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE.


Att, Equipe de Edição;



quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Relatório do V Congresso Internacional de Saúde Bucal Coletiva

Em outubro de 2014 foi realizado na Colômbia o V Congresso Internacional de Saúde Bucal Coletiva, organizado pelo Observatório Nacional de Saúde Bucal e da Prática Odontológica (ONSB), da Faculdade de Odontologia da Universidade de Antioquia, Colômbia.

o relatório do evento está disponível em:


(na página é possível acessar apresentações e demais informações sobre as atividades)


terça-feira, 27 de janeiro de 2015

Discente produz ensaio a partir das reflexões publicadas pela filósofa Marilena Chaui, sobre as diferentes escolhas para a Política Universitária do Brasil

 O blog dos Estágios divulga um ensaio produzido pelo discente do curso de Odontologia da UFPE Josevan Souza. Segundo o autor-aluno “a inspiração de produzir este ensaio surgiu à partir de suas reflexões  sobre dois livros da Filósofa Marilena Chaui – a ‘Universidade Operacional’ e ‘Escritos Sobre a Universidade’, que abordam sobre  o movimento que a ‘academia’ estava operando, após a redemocratização do país.”

Universidade e Redemocratização à Luz do Pensamento de Chaui e Registros Sobre os Avanços Políticos na Saúde Bucal
Souza-Silva, J.*


Filósofa Marilena Chaui
Esse ensaio pretende apresentar uma síntese das reflexões publicadas pela filósofa Marilena Chaui, Professora Titular da Faculdade de Filosofia da USP, sobre as diferentes escolhas para a Política Universitária do Brasil, implantadas a partir da década de 1980. Suas obras discutem o tema, segundo categorias e o período analisado, são eles: Universidade Funcional (1980-90); Universidade de Resultados (1990-95) e Universidade Operacional (1995 até a atualidade). Em paralelo, será discutido o percurso histórico das Políticas no campo da Saúde Bucal, segundo a perspectiva da Autora.
Segundo Chaui, durante o Regime Militar (1964-1985) a tradicional classe média brasileira foi seu principal arrimo. Para isto, a mesma se beneficiou das mais diversas formas, dentre elas a quase exclusiva entrada nas universidades públicas. O Estado de Exceção implantou um sistema que procura se perpetuar até os dias atuais (apesar da expansão do ENEM): terceirizar a porta de entrada nos cursos superiores, criando os vestibulares. Favorecendo interesses dos setores privados da educação, visto o surgimento das primeiras fundações de vestibulares. 
Marcha da Família com Deus pela Liberdade
Com o fim dos governos militares, o modo de entrada na universidade continuou sendo através de um modelo de “múltiplas escolhas”. Neste tempo, (entre 1980 e 1990) Chaui argumenta que o principal objetivo da universidade era formar mão-de-obra rápida para o mercado de trabalho. Caracterizando-se como Universidade Funcional.




Por Universidade Funcional a autora aborda:

[...] “oferecida às classes médias para compensá-las pelo apoio à ditadura, oferecendo-lhes a esperança de rápida ascensão social por meio dos diplomas universitários. Foi a universidade da massificação e do adestramento rápido de quadros para o mercado das empresas privadas instaladas com o ‘milagre econômico’.”(CHAUI, 2003)

Enquanto isso, o ensino da Odontologia seguia o modelo biomédico e liberal, perseguindo, também, uma rápida formação para o mercado privado. Contudo, foram travadas disputas entre os atores sociais dos setores públicos e privados da saúde, tendo como pano de fundo o processo de redemocratização do país, quando existia uma forte efervescência política, a atuação incisiva do movimento estudantil assim como a dos trabalhadores que nesse contexto ganhavam força para a viabilização do reencontro do Brasil com a democracia. Por sua vez, no campo da saúde, o movimento da Reforma Sanitária discutia as teses sobre a Determinação da Saúde, as condições precárias da situação de saúde da maioria da população e a necessidade da criação de um Sistema de Saúde Pública Universal - o SUS, em contraponto a expansão da Medicina e Odontologia de Mercado (NARVAI, 2011).
            A 1ª Conferência Nacional de Saúde Bucal (CNSB) foi considerada um marco para o fortalecimento do setor público da saúde bucal. Ela foi a expressão dessa efervescência política vivenciada dentro desse sub-setor da saúde. Afinal, durante a 1ªCNSB foram amplamente debatidas questões para enfrentar o modelo privatista, ineficaz, ineficiente, iatrogênico e de baixo impacto epidemiológico que vigorava.   No Relatório final foi proposta a “inserção da saúde bucal no sistema único de saúde” por meio de um “Programa Nacional de Saúde Bucal, com base nas diretrizes da área, respeitando-se as definições que cabem aos níveis federal, estadual e municipal” (...) “universalizado, hierarquizado, regionalizado e descentralizado, com a municipalização dos serviços e fortalecimento do poder decisório municipal” (CNSB, 1986). Porém os governos que se sucederam até o final da década de 1990 não acataram essa deliberação.

Em meados da década de 1990, a universidade tornou-se de “Resultados”. O contexto políticoeconômico era o de avanço das políticas neoliberais. Ou seja, a universidade pública sofreu o impacto dessas políticas, expresso no pouco investimento no ensino, no aumento do processo de privatização do ensino universitário e no avanço das estratégias utilizadas pelas empresas privadas de usarem de “mão-de-obra acadêmica” fácil e barata, como descreveu Chaui.
Por Universidade de Resultados a filósofa Chaui (2003) conceitua:
[...] “foi gestada pela Universidade Funcional, mas trazendo duas novidades. Em primeiro lugar, a expansão para o ensino superior da presença crescente das escolas privadas, encarregadas de continuar alimentando o sonho social da classe média; em segundo lugar, a introdução da idéia de parceria entre a universidade pública e as empresas privadas. Este segundo aspecto foi decisivo na medida em que as empresas não só deveriam assegurar o emprego futuro aos profissionais universitários e estágios remunerados aos estudantes, como ainda financiar pesquisas diretamente ligadas a seus interesses. Eram os empregos e a utilidade imediata das pesquisas que garantiam à universidade sua apresentação pública como portadora de resultados”.
A autora salienta que nesse período no campo do ensino universitário foram iniciadas e aprofundadas as parcerias entre os setores público e privado. Nesse aspecto, qualificavam-se as universidades como aquelas que davam bons resultados (às que atendiam ao mercado de consumo) e as que não davam bons resultados (às que não atendiam ao mercado de consumo).
 No ensino superior observou-se uma discreta expansão no que se refere ao acesso. Apesar disso, a academia se encontrava imobilizada (não acompanhando o ritmo da universidade de Resultados), pelos parcos recursos financeiros, como consequência do modelo neoliberal implantado no Brasil. Nesse contexto, a universidade continuava sendo o “sonho de ingresso da classe média”. Já para as classes populares o acesso a esse “sonho” era dificultado devido às políticas educacionais restritas que predominaram nesse período. Diferentemente, dos grupos sociais mais favorecidos que podiam fazer altos investimentos para financiar os estudos de seus filhos (gerando por tabela o grande “BUM” das escolas particulares e cursinhos pré-vestibulares), as populações mais pobres se viam impossibilitadas de oferecer um ensino de qualidade aos seus filhos, devido à ausência de políticas inclusivas.
Ao mesmo tempo, na odontologia o modelo biomédico ainda era o carro-chefe a guiar o planejamento dos processos de ensino-aprendizagem de característica curativo-restauradora de baixo impacto epidemiológico e social, mas em consonância com o modelo de prática privada e liberal.
No que se refere às Políticas Nacionais de Saúde Bucal, formuladas nesse período, os autores NARVAI e FRAZÃO (2006) consideram que houve um expressivo declínio nas ações de saúde bucal no âmbito do Ministério da Saúde, com baixíssima prioridade para a Política Nacional de Saúde Bucal, que seguiu praticamente irrelevante durante os anos 1990.
 Em forma de repúdio a 2° CNSB foi mais incisiva que a anterior e em sua carta de abertura denuncia “o pensamento e a prática neoliberal modernista, que assola o mundo e atinge de maneira drástica o Brasil.” (CNSB, 1994). Além de aprovar “diretrizes e estratégias políticas para a saúde bucal no país, reconhecendo-a como direito de cidadania” (NARVAI &FRAZÃO, 2006).
Por último, Marilena Chaui afirma que instalou-se na universidade um sistema operacional, iniciado por volta da segunda metade da década de 1990 e que persiste até os dias atuais.
Nesse contexto, entende-se como Universidade Operacional aquela que é:

“Regida por contratos de gestão, avaliada por índices de produtividade, calculada para ser flexível, [...] está estruturada por estratégias e programas de eficácia organizacional e, portanto, pela particularidade e instabilidade dos meios e dos objetivos. Definida e estruturada por normas e padrões inteiramente alheios ao conhecimento e à formação intelectual, está pulverizada em microorganizações que ocupam seus docentes e curvam seus estudantes a exigências exteriores ao trabalho intelectual.” (CHAUI, 2003).

Enquanto a universidade funcional estava focada no mercado de trabalho e a universidade de resultado estava voltada para as empresas, a universidade operacional (por ser uma organização) está voltada para si mesma enquanto estrutura de gestão. Chaui diz que é possível sentir a universidade operacional na pele, quando paramos para analisar o aumento da carga horária em detrimento do baixo tempo de estágio em campo de trabalho. Assim como a avaliação feita por agências reguladoras como o CNPq, através de um currículo que não mede amplamente a qualidade, porém, mede quantidade de publicações, colóquios e congressos, o que a autora classifica como “Guerra do Curriculum Lattes”.
ARTE SOBRE O QUADRO “OPERÁRIOS” DE TARSILA DO AMARAL.
Na área de ensino/pesquisa, pode-se dizer que se instalou um “método de transmissão rápida de conhecimento” (CHAUÍ, 1999), ou seja, as disciplinas foram micro-organizadas de acordo com a micro-formação do respectivo docente. Em outras palavras, prevalecendo aqueles que se dedicaram a algo muito especializado. Além disso, segundo a filósofa, a relação professor/aluno se tornou um trato entre um adestrador e um adestrando, garantindo novas gerações de “professores/pesquisadores normóticos”, gerando uma “doença” chamada normose acadêmica.
O Antropólogo da Saúde Roberto CREMA (2014), entende normose acadêmica como aquela que é consequência da:

[...] ”meritocracia produtivista implantada nas universidades, cujos instrumentos, no Brasil, para garantir a disciplina e esta doentia normalidade são os sistemas de avaliação de pesquisadores e programas de pós-graduação, capitaneados principalmente pela CAPES e CNPq. Estes sistemas têm transformado, nas últimas décadas, docentes e alunos em burocráticos produtores de artigos, afastando-os dos reais problemas da ciência e da sociedade, bem como da busca por conhecimentos e pensamentos realmente novos. A exigência de produtividade é um estímulo ao status que, obstruindo a criatividade e o senso crítico, já que inovar (fugir do normal) pode ser incerto, quando se tem metas produtivas a cumprir; portanto, não é desejável: o mais seguro é fazer “mais do mesmo”, que é ao que a Normose acadêmica condenou as universidades e seus integrantes ao redor do mundo”.

Em contraponto, no início do século XXI, é observado o desenvolvimento de políticas de cunho social com impacto nas políticas públicas universitárias, na perspectiva da promoção de um ensino contextualizado e voltado para oferecer respostas aos problemas nacionais e loco-regionais do país. Para isto, uma série de inciativas foram tomadas, a exemplo do REUNI (Programa do Governo Federal de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais Brasileiras, parte integrante de um conjunto de ações do Governo Federal no Plano de Desenvolvimento de Educação do MEC. Foi instituído pelo Decreto Presidencial 6.096, de 24 de abril de 2007, com o objetivo de dar às instituições condições de expandir o acesso e garantir condições de permanência no Ensino Superior) e a política de cotas universitárias.
A lei de cotas de n° 12.711/2012 orienta que as 59 Universidades Federais e os 38 Institutos Federais reservem vagas (50%) a alunos oriundos integralmente do ensino médio público, em cursos regulares ou da educação de jovens e adultos. Além de outras ações complementares para o apoio ao aluno em condição de vulnerabilidade social, assim como a ampliação do acesso e do número de escolas, melhoria salarial, ampliação do número de professores, reforma e qualificação dos equipamentos entre outras (BRASIL, 2012).
Assim, no campo da saúde, visando um ensino contextualizado e integrado às necessidades da saúde pública brasileira, foram observados movimentos conjuntos entre o Ministério da educação e saúde para fortalecer a integração ensino-serviço, a exemplo de políticas indutoras como o Pró-Saúde, o Pet-Saúde, a Política de educação Permanente,  entre outras. (CECCIM & FEUERWERKER, 2004)
 

Nesse contexto, SANTOS (2005) considera que:

“[...] as políticas de ação afirmativa assumem hoje grande destaque e merecem uma referência especial. Em resposta à crescente pressão de movimentos sociais pela democratização do acesso ao ensino superior, especialmente do movimento negro, o Governo Lula lançou no primeiro semestre de 2004 o programa «Universidade para Todos» que preconiza uma ação afirmativa baseada em critérios raciais e sócio económicos”.

Em contraste, no campo da saúde bucal, é importante registrar conforme Melo et al. (2006) que “no final dos anos 90 do século XX, vários municípios brasileiros apresentavam uma rede de serviços públicos odontológicos que assegurava acesso universal à assistência odontológica de urgência e ações programáticas dirigidas aos pré-escolares e escolares e aos usuários de unidades básicas de saúde. Porém, ações que esbarravam no que se referia à integralidade.” 
Já nos anos 2000, houve uma nova perspectiva para a Política Nacional de Saúde Bucal, primeiro estabelecendo “incentivo financeiro para a reorganização da atenção à saúde bucal prestada nos municípios por meio do Programa de Saúde da Família” (CALADO, 2002) e segundo quando a odontologia foi colocada “em outro patamar”, juntamente com os princípios da Reforma Sanitária e o ideário do SUS, possibilitando a redefinição da Política Nacional de Saúde Bucal e a instituição do “Programa Brasil Sorridente” (NARVAI e FRAZÃO, 2006).
Alinhado com tudo isso, programam-se novas diretrizes curriculares nacionais para os cursos de saúde. Na odontologia, as novas diretrizes foram aprovadas pelo Conselho Nacional de Educação, em fevereiro de 2002 (Brasil, 2002).
As Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) para o curso de odontologia enfatizavam:

“A formação do cirurgião-dentista deverá contemplar o sistema de saúde vigente no Brasil, a atenção integrada no serviço de saúde regionalizado e hierarquizado de referência e contra-referência e o trabalho em equipe”. (BRASIL, 2002) 

            Para Zilbovinicius (2007), em consequência das DCN nas faculdades de Odontologia, reacenderam duas correntes fortes do século XX: a primeira em defesa das novas diretrizes curriculares (corrente da Sensibilidade Social, “Socially Sensitive Movement”); e segunda centrada na aquisição de conhecimentos que permitam tratamentos segundo os critérios científicos (corrente proposta por Flexner e Gies).
            Zilbovinicius (2007) segue afirmando que:

“O ressurgimento dessas duas correntes geram conflitos e como resultados desses conflitos têm-se a deficiência no ensino, a insatisfação dos alunos e a dúvida: se as faculdades de odontologia podem continuar sendo as principais responsáveis pela educação odontológica”.
           
 Nesse sentido, é possível dizer que, o embate não se dá entre tecnocratas e sanitaristas, mas sim entre aqueles que julgam a universidade como “uma organização administrada empresarialmente tendo como horizonte e destino o mercado e aqueles que julgam a Universidade como uma instituição social que busca o conhecimento, portanto, segundo a reflexão, a crítica e a formação. E que, por não tomarem a universidade segundo a lógica irracional do mercado, a concebe, segundo a prática democrática dos direitos e não dos serviços.” (CHAUI, 1999).
Em contraste a problemática vivida no contexto da Universidade Operacional, caracterizado por Chaui como uma “grande crise” por que passa a academia, observa-se que as políticas públicas para à Saúde Bucal tem avançado em passos largos no que se refere à implantação de uma política de saúde elaborada segundo os princípios e diretrizes do SUS. Afinal nesse período vem sendo observado, no âmbito da Atenção Básica do país, a ampliação do acesso aos serviços básicos de saúde bucal e  do trabalho das equipes de saúde bucal, o esforço para a consolidação de uma  Rede de cuidados, segundo os níveis de atenção e necessidades de saúde bucal, a ampliação da medida intersetorial de fluoretação das águas de abastecimento públicas, redução em importantes indicadores de saúde e de prestação assistencial no ensino, além da “adequação de muitas escolas às novas diretrizes curriculares para a graduação de odontologia” (BRASIL, 2006).
 Entretanto, essas mudanças no campo dos serviços e do ensino vêm ocorrendo pelo embate entre as forças conservadoras e progressistas que atuam nesse sub-setor da saúde.  A sua finalidade é  aproximar o ensino da realidade social e epidemiológica da população segundo os princípios da universalidade, equidade e integralidade. E visa o cumprimento dos preceitos constitucionais para serem implementados na área da saúde do país. No artigo 200 da Constituição Federal brasileira é determinado ao sistema único de saúde, além de outras atribuições nos termos da lei: ordenar a formação de recursos humanos na área de saúde, inciso III.
Portanto, os desafios atuais para a universidade brasileira é, entre outros, o de realizar uma critica do modelo de gestão produtivista, para avançar na sua missão democrática, pública e contextual, na intencionalidade de colocar toda sua produção científica e formadora de recursos humanos para resolver os problemas prioritários da maioria da população brasileira. Na Odontologia, isto significa abandonar a formação flexineriana na formação universitária, de estímulo a uma prática liberal e privatista, para investir sinergicamente na formação profissional para fortalecer o SUS.

Referências
Brasil. Ministério da Educação. Resolução CNE/CES 3/202, de 19 de Fevereiro de 2002. Diretrizes curriculares para o curso de Farmácia e Odontologia. Diário Oficial da União, Brasília, 4 mar. 2002.

Brasil. Ministério da Saúde. Ministério da Educação. A aderência dos cursos de graduação em enfermagem, medicina e odontologia às diretrizes curriculares nacionais / Ministério da Saúde. Diário Oficial da União, Brasília, 2006.

Brasil. Presidência da República. LEI LEI Nº 12.711, DE 29 DE AGOSTO DE 2012. Lei de Cotas. Diário Oficial da União, Brasília, 29 ago. 2012

Calado, G.S. A inserção da equipe de saúde bucal no programa de saúde da família: principais avanços e desafios [dissertação de mestrado]. Rio de Janeiro: Escola Nacional de Saúde Pública, Fundação Oswaldo Cruz; 2002.

Ceccim, R.B.;  Feuerwerker, L. O Quadrilátero da Formação para a Área da Saúde: Ensino, Gestão, Atenção e Controle Social. PHYSIS: Rev. Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 14(1):41- 65, 2004

CHAUÍ, M. A Universidade Operacional. Editora Sorocaba – São Paulo 1999. Disponível em: http://periodicos.uniso.br/ojs/index.php?journal=avaliacao&page=article&op=view&path%5B%5D=1063

CHAUI, M. A Universidade Pública Sob Nova Perspectiva. Revista Brasileira de Educação, n°24, DEZ 2003. São Paulo. Disponível em:  http://www.scielo.br/pdf/rbedu/n24/n24a02.pdf

CNSB. 1ª. Conferência Nacional de Saúde Bucal, Brasília, 10 a 12/10/1986. Relatório Final. Brasília. Disponível em: https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#sourceid=chrome-psyapi2&ie=UTF-8&q=1%C2%B0%20confer%C3%AAncia%20de%20sa%C3%BAde%20bucal%20relat%C3%B3rio

CNSB. 2ª. Conferência Nacional de Saúde Bucal, Brasília, 25 a 27/9/1993. Relatório Final. Brasília. Disponível em: https://www.google.com.br/webhp?sourceid=chrome-instant&ion=1&espv=2&ie=UTF-8#q=2%C2%B0+confer%C3%AAncia+nacional+de+sa%C3%BAde+bucal

CREMA, R. A Doença da “Normalidade” na Universidade. Revista Eletrônica Pragmatismo Político. Brasília - 2014 Disponível em: http://www.pragmatismopolitico.com.br/2014/07/a-doenca-da-normalidade-na-universidade.html

Melo, M. M. D. C.; Frazão, P.; Jamelli, S. Saúde bucal e doenças crônicas não transmissíveis: determinantes e fatores de risco que exigem ação articulada no contexto de construção do sistema de vigilância à saúde. In: Freese E (org.). Epidemiologia, políticas e determinantes das doenças crônicas não transmissíveis no Brasil. Recife: Universitária UFPE; 2006.

NARVAI, P., FRAZÃO, P. Políticas de Saúde Bucal no Brasil. 2006.  Disponível em: http://www.casasbahia-imagens.com.br/html/conteudo-produto/12-livros/194585/194585.pdf

NARVAI, P.C. Avanços e desafios da Política Nacional de Saúde Bucal no Brasil. Revista Tempus Actas de Saúde Coletiva, Brasília, DF, v. 5, n. 3, p.21-34, 2011.

Pereira, C.; Patrício, A.; Costa-Araújo, F.; Lucena, E.; Lima, K.; Roncalli, A.G. . Inclusion of oral health teams in the Family Health Program and its impact on the use of dental services. Cad. Saúde Pública, Rio de Janeiro, 25(5):985-996, mai, 2009. Disponível em: http://www.scielosp.org/pdf/csp/v25n5/05.pdf

SANTOS, B.S. A UNIVERSIDADE NO SÉCULO XXI: Para uma Reforma Democrática e Emancipatória da Universidade. Revista Educação, Sociedade e Cultura, n° 23, 2005 137-202. Coimbra. Disponível em: http://www.fpce.up.pt/ciie/revistaesc/ESC23/23-Boaventura.pdf

SGTES, 2011. Brasil. Ministério da Saúde. Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação na Saúde Zibovinicius, C. Implantação das Diretrizes Curriculares Para os Cursos de Graduação em Odontologia no Brasil: Contradições e Perspectivas [Tese de Doutorado]. São Paulo: Faculdade de Odontologia da Universidade de São Paulo; 2007.


segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Sobre o desafio contemporâneo da gestão do SUS



A Revista RADIS, nº 145, publicada em outubro de 2014, está discutindo sobre a ‘Regionalização da Saúde’ e achamos interessante indicarmos a leitura para que todos os visitantes possam se informar sobre os desafios contemporâneos para a melhoria da gestão do SUS.

Então, extraímos três matérias da revista que são de extrema importância para nós. Dentre elas, o aluno Danilo Almeida do 6º período elaborou uma síntese sobre a seguinte matéria “Pesquisa avalia Mais Médicos: aprovação dos brasileiros”.

Pesquisa avalia Mais Médicos: aprovação dos brasileiros
Radis 145 – out/2014 (pág. 08)

A Revista Radis sempre traz temas pertinentes à saúde com enfoque na saúde pública. A edição de número 145, de outubro de 2014, tematizada em “REGIONALIZAÇÃO; Caminho para o SUS universal” é voltada para a universalização, trazendo diversas matérias a respeito do tema. Dentre elas, está presente uma que levou em consideração a avaliação do Programa Mais Médicos pela população brasileira, intitulada de “Pesquisa avalia Mais Médicos: aprovação dos brasileiros”.
O ministro da saúde, Arthur Chioro, em entrevista coletiva à imprensa trouxe a tona os dados do balanço de um ano do programa Mais Médicos, realizado como pesquisa de opinião pela Universidade Federal de Minas Gerais. O ministro apontou que, de acordo com a pesquisa, 95% dos beneficiados pelo programa estão satisfeitos ou muito satisfeitos e, ainda, que maior parcela destes acreditam que o programa é melhor do que o esperado, que o tempo de espera e da duração das consultas, comunicação com os médicos, dentre outras variáveis, melhorou bastante. Foi visto que 87% dos usuários do programa não tiveram dificuldade em compreender o que os médicos falavam.
Chioro enfatizou ainda que o Mais Médicos atendeu toda a demanda de municípios brasileiros tendo, pela primeira vez, 100% de cobertura nos 34 distritos sanitários indígenas. A dimensão do programa é tanta que contempla todos os estados brasileiros, inclusive São Paulo, evidenciando a necessidade de médicos não só no interior nordestino e Amazônia, mas na periferia das cidades grandes e médias.
A quantidade de profissionais selecionados (14.462) superou a meta inicial do governo federal (13,3 mil), embora os médicos brasileiros, cuja prioridade de participação lhes foi dada, somem apenas 1.846. Destes, todos optaram por trabalhar em capitais e cidades médias. Toda demanda de pacientes só pode ser atendida com a chegada dos mais de 11400 médicos cubanos que participam do programa. “É a primeira vez que temos um padrão nacional de distribuição de médicos”, ressaltou Arthur.
            A prioridade do programa foi atender os municípios com mais de 20% da população em situação de extrema pobreza, IDH baixo ou muito baixo, alguns locais do interior do SP e MG, além dos distritos indígenas. Aí se concentram 70% dos médicos do programa.
Foi provado que os médicos cubanos estão aptos a atender a população com qualidade. “É importante não só garantir o atendimento, mas que ele seja cada vez mais de respeito e humanizado”.

Indicamos também as outras duas matérias, “Regionalização é o caminho” de Bruno Dominguez, relata que os sanitaristas estão criticamente revendo o processo de descentralização da saúde no Brasil, pois agora acreditaM que a “Regionalização é o caminho”, a frase foi dita pelo presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco), Luis Eugenio Portela, em seminário do 7º Congresso Interno da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em 1º de agosto. E você poderá encontra-la nas seguintes páginas de 11 a 15. E a outra, “Uma utopia possível: o SUS Brasil” de Gastão Wagner de Sousa Campos que fala principalmente da organização e funcionamento do SUS. E você poderá encontrar nas páginas 16 e 17.

Estamos disponibilizando no link a seguir a Revista na íntegra para quem tiver o interesse  http://www6.ensp.fiocruz.br/radis/sites/default/files/radis_145web.pdf

E boa leitura!

Att, Equipe de Edição;